segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um domingo igual aos outros



Sem ônibus de graça, passageiros esperam nas paradas lotadas pelos poucos ônibus colocados pelos empresários

Com a suspensão da lei municipal 8.779/2010, a do ônibus de graça um domingo por mês com 100% da frota de 1.695 veículos circulando, passageiros, ontem, não saíram da rotina dominical: precisaram pagar a passagem após uma longa espera. Há quem tenha esperado pelo menos 30 minutos até conseguir transporte. Aos domingos, apenas 50% da frota está nas ruas. Algumas paradas estavam lotadas. Muitas pessoas duvidaram desde o início da aplicação da lei. Como não era surpresa, ninguém reclamou. Só quem não pagou a tarifa foram os passageiros que possuem gratuidade.

Além do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel), o transporte clandestino se deu bem com a suspensão da lei do ônibus de graça. Com apenas metade da frota nas ruas e muitos passageiros irritados com a espera, vans, micro-onibus e Kombis passavam a todo momento e lotados.

O primeiro dia da lei do ônibus de graça deveria ser ontem, mas o Setransbel contestou e pediu a suspensão da lei na semana passada. O pedido foi apreciado pelo juiz Marco Antônio Castelo Branco, da 2ª Vara de Fazenda Pública. O magistrado concedeu a suspensão na sexta-feira (25). O vereador Otávio Pinheiro já disse que vai recorrer.

A dona de casa Iraci da Silveira, de 45 anos, tem o costume de sair com as duas filhas, neta e marido aos domingos. Na manhã de ontem, a tradição não foi quebrada. Toda a família foi para a missa na Basílica Santuário de Nazaré. Foram e voltaram de ônibus. Nas duas viagens foi preciso esperar o transporte por vários minutos. "Sempre saímos para passear no domingo. Primeiro vamos à missa e depois, fazer outra coisa, como ir a alguma praça. Mas sabíamos que essa lei não ia funcionar. Se funcionasse, não teria ônibus na rua do mesmo jeito", comentou. Apenas uma das filhas de Iraci estava com esperança de conseguir pegar ônibus de graça.

O promotor de vendas Renan de Souza Pimentel, 18 anos, e a namorada dele, a estudante Evellyn Fonseca, conheciam a lei do ônibus de graça e também já previam o fracasso. Para o casal, os passeios de domingo seriam muito mais fáceis, com vários locais a serem visitados ao longo do dia. Mas como não havia mais a possibilidade de pegar vários ônibus sem pagar passagem, os planos foram reduzidos a uma visita à casa da tia de Renan e com hora para voltar para evitar longas esperas nas paradas à noite. No momento da entrevista, eles já esperavam no ponto por mais de meia hora. "Poderíamos ir para o bosque, praça, praia. Dava para fazer muitas coisas e voltar mais tarde sem medo, pois teria ônibus. Mas sabia que ia falhar", disse.

O Diretório Central dos Estudantes da Universidade da Amazônia (DCE Unama) e vários movimentos estudantis, começaram, na manhã de ontem, na praça da República, uma campanha de mobilização em favor da lei da catraca livre e contra o reajuste da tarifa, estimado para R$ 2,15. O presidente do DCE, Rogério Guimarães, adianta que de hoje, a partir das 8h30, na Unama da Alcindo Cacela, até sexta-feira (4 de março) haverá mais manifestações. A cada dia será em um novo lugar. "Estamos chamando a atenção da população sobre esse embargo judicial à lei. Estamos vendo de que forma podemos nos manifestar contra esse descaso da Justiça, que decidiu em favor dos empresários do transporte de passageiros", declarou
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