segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Blocos animam as ruas de Belém

O carnaval espontâneo das famílias mostra força e alegria

Belém ficou em festa ontem com a alegria dos blocos carnavalescos que brincaram por toda a cidade. Homens, mulheres, idosos, jovens e crianças saíram às ruas para se divertir com folia para todos os gostos. Na avenida Conselheiro Furtado, entre a avenida Alcindo Cacela e a travessa 14 de Março, o samba foi o ritmo escolhido pelos brincantes do grupo formado pelos remanescentes do bloco Mocidade Unidos de Nazaré. A concentração foi em uma passagem com nome sugestivo: Alegre. De lá, eles saíram, durante a tarde, em arrastão, passando pela Conselheiro, rua dos Mundurucus e Alcindo Cacela. Depois fizeram o retorno na praça Dalcídio Jurandir, passaram pela 9 de Janeiro, até retornar à Conselheiro. Cerca de mil pessoas participaram da festa.

Candido Neto, um dos coordenadores do evento, lembra que a Mocidade Unidos de Nazaré já foi campeã do carnaval de bloco de rua na década de 1980. No entanto, o arrastão organizado pelos remanescentes do bloco começou a ser realizado há apenas dois anos. "A participação é sempre excelente. O público da Cremação e dessas áreas do bairro de Nazaré sempre vêm participar com a gente", afirmou Candido. Os organizadores contam com a ajuda de simpatizantes e das comunidades da área para colocar o bloco na rua, além do dinheiro arrecadado com a venda dos abadás. Como já é tradição, a bateria do Rancho Não Posso me Amofiná também marcou presença no evento organizado pela Mocidade de Nazaré. "A finalidade é não deixar morrer a tradição do bloco e engrandecer o Carnaval paraense", declarou Candido Neto.

Com ou sem abada ou fantasia, o público curtiu a festa. A aposentada Elizete Ramos, de 67 anos, saiu de Canudos em direção à passagem Alegre para participar do arrastão. "Venho para cá por causa da seleção das pessoas e porque tem o Rancho, lógico. Pelo que eu vejo esse é um dos melhores blocos que existem em Belém", avalia a aposentada, que se diz uma apaixonada por carnaval. "Ano passado eu saí em quatro escolas. Os filhos já estão todos criados, formados, então eu caio é na bandalheira", declarou.

A dona de casa Margarida Marinho acompanha o bloco da Mocidade de Nazaré todos os anos. "É ótimo porque é bem família. A gente pode brincar à vontade, não tem briga", destacou.

Ritmos - No conjunto Satélite, a festa ficou por conta do bloco Tens Durado. Um trio elétrico posicionado na rua SN 3 animou os brincantes com ritmos variados. Eram tocadas músicas do carnaval tradicional e outros estilos musicais de sucessos como forró, sertanejo, e pop rock. Segundo Idel Canto, coordenador do evento, o bloco existe há seis anos e une entre cinco e sete mil pessoas. Os brincantes começaram a se reunir no início da tarde. "O objetivo do carnaval do bairro do Satélite é justamente valorizar a cultura popular paraense", enfatizou Canto.

Para animar ainda mais a festa, o bloco Tens Durado se uniu aos brincantes de outro bloco, o Porco Assado. A rua SN 3 ficou pequena para tanta agitação. Nem os moradores mais tímidos - aqueles que ficam olhando a movimentação da porta de casa -, ficaram parados. Alguns ainda arriscavam uns passinhos, mesmo que de longe. Mas não foi o caso da cabeleireira Sônia Viana, de 44 anos. Ela não teve vergonha de revelar a alegria que estava sentindo e dançou muito na companhia dos amigos. "Todos os anos eu participo. É muito legal. Isso é uma alegria para nós", declarou Sônia.

O comerciário Aldacir Dias também é presença confirmada nas festas do bloco Tens Durado. Este ano, ele não quis passar despercebido. Pintado de verde e com peruca, ele participou da folia fantasiado de Incrível Hulk. "Eu sou morador daqui e acho que tudo isso é garantia de muita diversão. Muito legal mesmo", comentou Aldacir.

Folia de Ananindeua continuou após problemas

O carnaval do município de Ananindeua, Carnanindeua, foi realizado no sábado e ontem, apesar de problemas com a estrutura das arquibancadas e camarotes, além da falta de pagamento à empresa responsável pela montagem. O Corpo de Bombeiros, na sexta-feira, havia detectado diversas irregularidades na montagem e realizou uma nova vistoria na manhã de sábado para autorizar o evento. Porém, só metade das três mil vagas poderia ser ocupada. Superados os problemas iniciais, não faltaram reclamações sobre insegurança, desorganização e sujeira.

As informações foram confirmadas por telefone pelo soldado Rocha, do Corpo de Bombeiros da Cidade Nova, que entrou em contato com os responsáveis pela vistoria. A Secretaria de Cultura de Ananindeua, em nota, confirmou, apesar de ter reconhecido que foram enviados convites para ocupar as três mil vagas.

Até as 11h de ontem, a avenida Dom Vicente Zico (Arterial 18), onde foi realizado o Carnanindeua, ainda estava cheia de lixo. As arquibancadas e camarotes estavam totalmente montadas, mas só 1.500 lugares foram ocupados. Homens do quartel do Corpo de Bombeiros da Cidade Nova estiveram fiscalizando o evento para evitar a ocupação irregular da arquibancada. Mesmo assim, alguns trabalhadores do carnaval do município ficaram preocupados com as pessoas pulando e dançando sobre as estruturas, que estavam balançando.

O vendedor Charlei Santos, de 34 anos, trabalhou no evento e disse que não sabia dos riscos das arquibancadas. Ele reclamou da sujeira, da falta de organização e da insegurança. "Este Carnaval estava um inferno. Muito desorganizado. A prefeitura não manda mais em nada em Ananindeua. Tampouco liga para a segurança da população. Este ano, que a prefeitura organizou, estava mais fraco que no ano passado, que só uns grupos organizaram quase sozinhos. Teve muita briga e gente armada", criticou.

Outro vendedor, que não quis se identificar, por medo de represálias da prefeitura, também disse não conhecer o problema das arquibancadas, mas garantiu que parte dos lugares não estava ocupada. Nenhum problema com as estruturas foi visto. Viaturas dos Bombeiros estavam no local.

Vendedores devem se licenciar na Secon

Na próxima sexta-feira, começa o carnaval oficial da Prefeitura de Belém. A partir de hoje, os vendedores ambulantes interessados em trabalhar no entorno da Aldeia Amazônica David Miguel - local onde vai ocorrer, durante quatro dias, a programação carnavalesca oficial da capital paraense - deverão fazer o licenciamento junto a Secretaria Municipal de Economia (Secon). O cadastramento será feito a partir das 9 horas, na própria Aldeia Amazônica. Ao todo, serão oferecidas 138 vagas em mais de 15 atividades informais como a venda de churros, pipoca, lanches rápidos, comidas típicas e bebidas (água mineral, refrigerante e água de coco).

A Secon licenciará os trabalhadores informais até a próxima quinta-feira. Os ambulantes interessados devem procurar a Aldeia Amazônica munidos de cópias dos seguintes documentos: carteira de identidade, 1 foto 3x4 e comprovante de residência. Quem for manipular alimentos também deve apresentar as carteiras de Saúde, expedida em qualquer unidade de saúde do município e de Manipulação de Alimentos, fornecida pelo Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde (Devisa/Sesma). O valor mínimo da taxa de licenciamento é de R$ 30,00 e o máximo, R$ 150,00.

Nos dias de folia, a fiscalização coibirá a venda de churrasco na brasa, porque coloca em risco a vida dos brincantes. Também será proibida a comercialização de bebida alcoólica, exceto nos casos em que a barraca esteja devidamente licenciada pelo órgão fiscalizador. Os pontos de vendas autorizados devem preferir as latas, pois os demais recipientes serão proibidos. Ainda na Ooperação Carnaval, a Secon continuará fiscalizando o comércio de mídia pirata, por tratar-se de uma contravenção. Aproximadamente 50 fiscais, distribuídos em três turnos, trabalharão na capital paraense.

A Secretaria Municipal de Economia informa que não será permitida a ocupação indevida de calçadas, por proprietários de estabelecimentos comerciais, ao longo da avenida Pedro Miranda. Da mesma forma, será proibida a instalação de material publicitário irregular de qualquer natureza. "Quem for pego em uma dessas infrações, pode ter o equipamento e o material apreendidos", alerta a diretora de Vias Públicas da Secon, Celina Oliveira.

Quem É Mole Não Entra aposta nas marchinhas

Do bairro da Condor saiu um dos mais animados blocos carnavalescos da cidade. O Quem É Mole Não Entra não deixou ninguém parado. Cerca de duas mil pessoas percorreram a travessa Padre Eutíquio, rua São Miguel, Apinajés e Alcindo Cacela, retornando pela Padre Eutíquio. Ao som das antigas marchinhas de carnaval, tocada por uma banda posicionada em cima de um caminhão, os brincantes fizeram a festa exibindo as suas originais fantasias. "A gente não usa música de carnaval porque a gente quer resgatar os antigos carnavais. O lema aqui é ‘Fora abadá!’, não somos baianos", declarou Carmem Valente, uma das organizadoras do evento.

Neste Carnaval, o bloco, que existe há sete anos, levou para as ruas o tema "Não dê mole para a aids", com o objetivo de incentivar a população a usar a camisinha como forma de prevenção da doença. Durante a festa, dois mil preservativos foram distribuídos. "Esse é um bloco família. Aqui tem avós, filhos e netos", afirmou Carmem.

A organizadora do evento estava certa. Dona Nira Pompeu, por exemplo, sempre participou da festa. Mas, pela primeira vez, ela resolveu aproveitar ainda mais a folia e ir fantasiada. Nira caprichou no visual, escolhendo algo bem original. "Sou uma espanhola com 76 anos", diz a senhora, com sua saia vermelha comprida e o leque na mão. "Vale a pena vir, pelo esforço da comunidade, uma vez que não temos apoio financeiro de ninguém. Além disso, eu me divirto muito", afirmou a aposentada, que participou do bloco na companhia do filho Wil, de 45 anos, e do neto Vinício, de 11 anos.

Warder Márcio Rendeiro, funcionário público de 36 anos, também sempre marcou presença no animado bloco de carnaval Quem É Mole Não Entra.

Para mostrar que a folia é mesmo familiar, neste ano, além do filho Wendel, de um ano e oito meses, Warder levou também a esposa, Rosileve Lopes, de 36 anos, que está grávida. "Isso está se tornando uma parte cultural do bairro da Condor. É importante a participação da comunidade, que está resgatando as antigas marchinhas de carnaval e, com isso, traz muitas famílias", disse Márcio Rendeiro.

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